
Preços altos de café e margens apertadas marcaram o último ano da Illycaffè. Agora, o presidente da empresa italiana, Andrea Illy, prevê que a rentabilidade será normalizada, apesar de custos maiores da commodity.
Durante sua passagem pelo Brasil, o executivo afirmou nesta quinta-feira (7/5) a jornalistas, que a companhia tem conseguido executar uma estratégia de comercialização, com reajustes no portfólio, que contribui para a recomposição das margens.
“É uma política de arbitragem que escolhemos, muito prudente, que está pagando ótimos resultados em vendas, em volume. Aumentamos preços proporcionalmente aos custos”, disse Illy.
Na visão do executivo, a intensidade e frequência dos eventos climáticos causa uma volatilidade contínua no mercado cafeeiro. A estratégia da companhia, então, é trabalhar no segmento de cafés de alta qualidade, onde os preços são naturalmente maiores, mas também encontrar formas mais eficientes de preparação e manter negociações diretas de compra com produtores rurais. “Isso deixa a empresa mais preparada para volatilidades futuras”, explicou.
Nesta safra, a expectativa do italiano é de uma colheita abundante de café no Brasil, impulsionada pelo ciclo de alta na bienalidade da cultura e condições climáticas favoráveis, ocorridas desde o ano passado.
A percepção de Illy vai em linha com as projeções oficiais do país. O Brasil deve produzir 66,2 milhões de sacas beneficiadas de café em 2026, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Se confirmado o resultado, o país deve alcançar um novo recorde, superando as 63,1 milhões de sacas de 2020.
Em contrapartida ao aumento da oferta que, em tese, ajuda a manter os preços mais estáveis, há um fenômeno climático El Niño pela frente que tende a mexer com o mercado. A dúvida é: como.
“Haverá um ‘super Niño’ no segundo semestre. E como vão ser os efeitos do El Niño? Não se sabe como vai ser”, disse o presidente. “Esses elementos vão representar um ponto de interrogação. São elementos de sustentação a preços mais altos”, acrescentou.
IPO
A possibilidade de abertura do capital da italiana Illycaffè, que chegou a ser aventada nos últimos anos, se tornou apenas uma “hipótese futura”, disse Andrea Illy.
“O período do IPO pode comprometer a qualidade do IPO. Tem o preço do café mais alto, a geopolítica, (então) permanece uma hipótese futura”, ressaltou o executivo a jornalistas, sobre pontos que poderiam afetar uma eventual oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês).
Ele explicou que os rumores de uma abertura de mercado surgiram de uma informação no estatuto da companhia, de que um fundo de investimento com participação minoritária poderia sair da empresa. “Mas era somente uma hipótese”, esclareceu Illy.
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