Seminário Internacional do Café recebe participantes de 24 países - Café Cotação




Integrantes da cadeia do café, empresas e autoridades se reúnem para discutir o mercado e questões como os efeitos da geopolítica global e os entraves da logística brasileira. O Seminário Internacional do Café deve receber cerca de mil pessoas do Brasil e de pelo menos outros 24 países nesta quarta e quinta-feira (20 e 21/5), em Santos (SP).
A cerimônia oficial de abertura do encontro foi na noite de terça-feira (19/5), no Santos Convention Center, localizado próximo ao Porto de Santos.
O presidente da Associação Comercial de Santos (ACS), Mauro Samarco, destacou que o momento atual é “singular”, com reordenamento geopolítico, tensões comerciais, transição energética e novas tecnologias.
“Esse cenário exige do Brasil uma nova visão estratégica, de um país autossuficiente em energia e insumos críticos. Com uma matriz de infraestrutura robusta para escoar com competitividade sua produção e um arcabouço legal previsível e seguro para atrair investimentos”, disse.
Diretor presidente da MSC do Brasil e vice-presidente da ACS, Elber Alves Justo, afirmou que é importante o trabalho conjunto para ampliar a presença do café brasileiro no mercado internacional. A empresa opera em terminais de contêineres em 16 portos brasileiros.
“Nossa proposta é contribuir com a facilitação do fluxo de mercadoria e dos suprimentos de café, garantindo que os grãos cheguem ao destino nas melhores condições”, disse.
A logística de exportação tem sido uma das principais preocupações da cadeia produtiva do café. E o Porto de Santos é o principal ponto de remessas do produto brasileiro que vai para o mercado externo.
Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) apontam que, em abril, Santos respondeu por 74,7% do volume exportado, com pouco mais de 8,6 milhões de sacas.
Em seu pronunciamento na cerimônia, o diretor-presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, reconheceu a necessidade de um porto com melhores acessos, tecnologia e infraestrutura, integrado a uma agenda de transição energética.
“A responsabilidade do porto é oferecer uma infraestrutura adequada para o produtor rural, para que tenha segurança em investir e produzir com a certeza de que seu produto chegará em segurança”, disse ele.
Também vice-presidente da Associação Comercial de Santos, Carlos Santana destacou que a cafeicultura brasileira vive hoje uma nova realidade. Ao produtor, não basta apenas conseguir o máximo de produtividade, mas também considerar a preservação ambiental e o impacto social de sua atividade.
“Agricultura regenerativa não é mais uma tendência. É uma realidade, que nasce no campo, construída pelos produtores”, disse ele.
Pedro Henrique de Souza Netto, diretor de Agronegócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) afirmou que não é difícil promover o café brasileiro no exterior. Basta mostrar a realidade do setor, com tecnologia, pesquisa e cuidado social.
“É um apoio que está crescendo. Não levamos só o produtor rural ao mercado. Trazemos também compradores para conhecerem fazendas, sujarem as botas e tirarem qualquer concepção errada sobre a nossa produção”, afirmou.
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