Chuvas acima da média histórica impactam colheita e qualidade do café - Café Cotação


O mês de junho de 2026 foi marcado por chuvas acima da média histórica em grande parte da área monitorada pela Cooxupé, favorecendo a recuperação e a manutenção do armazenamento de água no solo. Por outro lado, a ocorrência de chuvas durante o período de colheita reduziu o ritmo das operações no campo e dificultou significativamente o processamento e a secagem do café.

Um dos principais pontos de atenção foi a formação de um microclima mais úmido no interior das lavouras, condição que pode favorecer fermentações indesejáveis e o desenvolvimento de fungos nos frutos da safra 2026, principalmente nos cafés maduros, secos na planta ou caídos no solo. Também foram relatadas quedas de frutos em decorrência do impacto físico das chuvas e da movimentação da planta, especialmente em lavouras com maior proporção de frutos maduros.

Nessas condições, recomenda-se que a varrição seja realizada o mais rapidamente possível após a colheita, com o objetivo de reduzir o tempo de permanência dos frutos no solo e minimizar perdas quantitativas e qualitativas. Frutos mantidos por períodos prolongados em contato com solo úmido ficam expostos à contaminação por microrganismos, fermentações indesejáveis e alterações que podem comprometer o tipo, bebida e valor comercial do café.

Chuvas acima da média histórica na área monitorada

Após o encerramento da colheita em cada talhão, também é importante avaliar a necessidade do manejo fitossanitário pós-colheita. As lesões provocadas pela derriça, passagem das máquinas e pelo atrito dos equipamentos podem funcionar como portas de entrada para fungos e bactérias oportunistas.

Quando tecnicamente indicado, o manejo pós-colheita contribui para proteger os tecidos lesionados, reduzir a pressão de patógenos e preservar o enfolhamento das plantas. A escolha dos produtos, doses e momento de aplicação deve ser realizada com a orientação de um engenheiro agrônomo ou consultor técnico comercial da Cooxupé.

Armazenamento de água no solo e balanço hídrico

Conforme os dados registrados pelas estações meteorológicas (tabela 1), os maiores volumes de precipitação ocorreram predominantemente no segundo e terceiro decêndios de junho. Em praticamente todos os municípios acompanhados, os acumulados mensais superaram a média histórica do período. Entre os municípios considerados na área principal de monitoramento, Monte Carmelo, no Cerrado Mineiro, registrou maior volume do mês com 101,8 mm. Já Nova Resende, no Sul de Minas, registrou 94,0 mm. O menor volume registrado foi em Manhuaçu, nas Matas de Minas, com apenas 8,0 mm.

Apesar dos elevados volumes acumulados em algumas localidades, praticamente não houve excedente hídrico. Isso indica que a água precipitada foi utilizada principalmente para repor parcialmente a umidade do solo e atender à demanda da evapotranspiração. A ausência de excedente hídrico, mesmo diante de chuvas acima da média histórica, pode ser explicada pela condição de armazenamento observada no início do mês.

Parte dos solos apresentava redução da reserva hídrica acumulada nos meses anteriores. Dessa forma, as precipitações de junho contribuíram prioritariamente para a recomposição do armazenamento de água. Ao final do mês, o armazenamento hídrico permaneceu bastante variável entre os municípios. Carmo do Rio Claro atingiu 100% da capacidade considerada no balanço hídrico, enquanto Nova Resende e Serra do Salitre permaneceram acima de 90%. Alfenas encerrou o mês com aproximadamente 82,6%, Monte Carmelo com 81,4%, São José do Rio Pardo com 72,0% e Cabo Verde com 64,3%. Por outro lado, foram observados valores menores em Manhuaçu, com aproximadamente 20,1%, Rio Paranaíba, com 39,8%, e Coromandel, com 41,2%.

Embora as chuvas tenham favorecido a recuperação da umidade do solo, ainda houve déficit hídrico em vários municípios, concentrado principalmente no primeiro decêndio, antes da ocorrência dos maiores volumes de precipitação. Os maiores déficits mensais entre os municípios monitorados foram registrados em Manhuaçu, com 33,1 mm, Coromandel, com 26,9 mm, Monte Santo de Minas, com 18,0 mm, Monte Carmelo, com 17,6 mm, Campos Gerais, com 17,5 mm, e Rio Paranaíba, com 17,3 mm.

Temperaturas e condições fitossanitárias das lavouras

As temperaturas médias permaneceram próximas ou abaixo da média histórica em grande parte da área monitorada. Cabo Verde apresentou a menor média mensal, com aproximadamente 15,7 °C, enquanto Monte Carmelo registrou média próxima de 20,4 °C. As menores temperaturas absolutas foram observadas em São Pedro da União, com 4,3 °C, e Cabo Verde, com 4,9 °C. Já a maior temperatura máxima entre os principais municípios monitorados ocorreu em São José do Rio Pardo, com 29,2 °C.

A redução das temperaturas é característica do período de inverno e provoca diminuição da atividade metabólica do cafeeiro, da taxa fotossintética e do crescimento de ramos, folhas e novos internódios. Embora o crescimento vegetativo seja reduzido, as folhas remanescentes continuam exercendo função fundamental na produção e no armazenamento de carboidratos, que serão utilizados na recuperação das plantas e no desenvolvimento da próxima safra.

As condições de umidade e temperaturas amenas registradas em junho podem prolongar o período de molhamento foliar e favorecer doenças como phoma, antracnose, mancha aureolada e ferrugem tardia, dependendo do histórico e das condições específicas de cada lavoura. Lesões decorrentes da colheita, vento ou danos mecânicos podem aumentar a suscetibilidade dos tecidos e entrada de patógenos.

O monitoramento fitossanitário deve considerar as diferenças entre talhões, variedades, altitude, intensidade da colheita, nível de desfolha e histórico de ocorrência das doenças. Não se recomenda realizar aplicações de forma generalizada sem diagnóstico. A tomada de decisão deve considerar a presença do agente causal, nível de incidência, condições meteorológicas e a orientação técnica.

Cuidados na colheita e formação da safra 2027

Durante o período de colheita, as precipitações registradas em junho exigem atenção redobrada às operações de derriça, transporte, processamento e secagem do café. A elevada umidade favorece a respiração dos frutos e a atividade de microrganismos, aumentando o risco de fermentações indesejáveis e comprometendo a qualidade da bebida. Dessa forma, recomenda-se reduzir o tempo entre a colheita e o processamento, realizar a separação dos lotes conforme o estádio de maturação e evitar o acúmulo de café em sacos, carretas ou montes por longos períodos. Nos terreiros e secadores, é fundamental promover uma secagem uniforme, evitando o reumedecimento dos frutos e controlando adequadamente a temperatura da massa para preservar a qualidade física e sensorial do café.

Embora a atenção esteja voltada para a retirada da safra 2026, o período pós-colheita também marca o início da formação da safra 2027. Após a colheita, o cafeeiro inicia um processo de recuperação fisiológica, no qual a manutenção do enfolhamento, do equilíbrio nutricional e da sanidade das plantas será determinante para o acúmulo de reservas e o desenvolvimento das futuras gemas reprodutivas. Assim, recomenda-se avaliar cada talhão individualmente, observando o nível de desfolha, a ocorrência de pragas e doenças e a necessidade de manejo fitossanitário e nutricional. O acompanhamento das condições meteorológicas continuará sendo uma ferramenta essencial para orientar as operações de pós-colheita, preservar a qualidade da safra atual e maximizar o potencial produtivo da safra 2027.

Na página da Cooxupé estão disponíveis para consulta todos os dados coletados pelas estações meteorológicas da Cooxupé.

O monitoramento das condições climáticas é fundamental para o planejamento da safra. No Hub do Café, você encontra análises mensais da Cooxupé e conteúdos que ajudam na tomada de decisão no campo.

Distribuição de chuvas no mês de junho

Distribuição de temperatura em junho

Distribuição do déficit hídrico em junho

Distribuição de armazenamento de água no solo em junho



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