
A Nestlé espera aumentar as vendas de produtos de café no Brasil em 2026. A empresa avalia que o momento é de expansão na demanda, depois de um ano de 2025 em que o mercado viveu altas de preços. E aposta em diversificação para atrair novos consumidores e sofisticação para manter os tradicionais.
“Estamos vivendo uma estabilização nos preços do café, depois de um aumento histórico em 2025. O mercado está começando a consumir novamente e voltando a inovar”, diz Valeria Pardal, executiva chefe da área de café da Nestlé no Brasil.
Ela avalia que o mercado está se abrindo a outras tendências. Bebidas prontas e frias à base de café estão atraindo, especialmente, os mais jovens, que se “conectam” com o produto de forma diferente de gerações anteriores de consumidores.
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“Enquanto as gerações anteriores viam o café como combustível, energia para começar bem o dia, os jovens veem o café como momento de prazer, de socialização, uma forma de se apresentar e manter sua identidade”, diz a executiva.
Em sua visão, até 2030, o café frio deve representar 20% das vendas do segmento. Entre os produtos do catálogo, estão um café solúvel já adaptado para este tipo de preparo, além de bebidas prontas associadas à energia e atividade física.
Atualmente, esse portfólio tem 10% de participação nos negócios no Brasil, afirma Valéria. “Estamos trabalhando em novos formatos, com preços mais baixos e diferentes canais para onde os consumidores estão migrando”, explica.
Ao mesmo tempo, diz a executiva, os consumidores mais tradicionais estão sofisticando sua forma de consumir a bebida. Querem saber mais sobre a origem do café, as regiões produtoras e suas características, e sobre os blends.
Estamos diante de uma tendência de sofisticação que está crescendo em volume e em valor a cada ano. Essa tendência mais premium está encontrando um terreno mais fértil para se desenvolver.
A multinacional com origem suíça é a maior compradora mundial de café verde. Apenas o abastecimento da marca Nescafé demanda compras equivalentes a 10% da produção global.
Valéria chama a volatilidade nos preços como o “novo normal”. Avalia que a situação atual do mercado brasileiro, com uma perspectiva de safra recorde, é favorável para a companhia manter os investimentos e o desenvolvimento da categoria.
“É possível pensar em crescimento em volume e receita, devido à recuperação dos volumes e crescimento do mix, impulsionado, principalmente, por novos segmentos, como café gelado, premium e cápsulas, que agregam mais valor”, diz.
A perspectiva para o Brasil acompanha a tendência vista pela empresa para o segmento em escala global. No primeiro trimestre de 2026, as vendas de café da Nestlé aumentaram 9,3%, com uma elevação média de preços de 5,7% nos produtos.
“A performance da Nescafé foi forte, com um crescimento orgânico de dois dígitos (pelo menos 10%)”, reportou a companhia, na divulgação de seu balanço do período.
Na região das Américas, a divisão de café representou 20% das vendas. No primeiro trimestre, cresceu “um dígito”, com destaques para Nescafé e para a marca Starbucks, que a Nestlé licencia para produtos como cápsulas.
No segmento monodose, a multinacional suíça reforçou sua competição no varejo brasileiro. Além das cápsulas Starbucks, colocou nas gôndolas a marca Nescafé também nesse formato, com bebidas de diversas origens.
Quem fabrica a cápsula é a Nespresso. Mas, com Nescafé, a Nestlé concorre com marcas que fabricam produtos “compatíveis” com suas máquinas mantendo a diferenciação de sua “grife” de café, que tem a cantora Dua Lipa como embaixadora.
A companhia também tem no varejo a marca Dolce Gusto, com suas próprias cápsulas de café e as da Starbucks, e outras bebidas para uma máquina própria. Além do solúvel em diferentes versões, torrado e moído e preparados, como capuccino.
*O jornalista viajou a convite da Nestlé
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