Os desafios da infraestrutura logística brasileira e os impactos sobre a competitividade do comércio exterior estiveram em pauta na sequência das discussões do Seminário Internacional do Café, realizado em Santos (SP). Durante a palestra “Infraestrutura para o Comércio Exterior Brasileiro”, Fábio Lavor, superintendente de Relações Institucionais do Centronave, apresentou um panorama do sistema portuário nacional e alertou para os gargalos estruturais que limitam o crescimento da movimentação de cargas no país.
Segundo o especialista, o Brasil possui atualmente 35 portos públicos e 221 terminais privados, formando uma estrutura considerada estratégica para o escoamento da produção nacional. Em 2025, os 256 portos brasileiros movimentaram cerca de 1,403 bilhão de toneladas de cargas, com destaque para a região Sudeste, que segue como principal eixo logístico do país.
Apesar da relevância do setor, Lavor destacou que o Brasil ainda apresenta atraso em relação ao desempenho logístico internacional, especialmente diante da crescente demanda global por eficiência operacional, aumento de escala e modernização portuária.
Ao abordar os desafios para ampliação da infraestrutura, o executivo ressaltou a necessidade de maior coordenação entre setor público e iniciativa privada para viabilizar investimentos estruturantes.
“Há realmente necessidade de concertação, atuação estruturada e harmonização de interesses entre os atores do setor”, afirmou.
Segundo ele, o crescimento do comércio exterior vem impondo uma pressão crescente sobre os terminais portuários brasileiros, especialmente diante da necessidade de utilização de navios maiores e mais modernos. No entanto, a limitação física dos portos brasileiros tem dificultado esse processo.
Lavor explicou que, para atender ao aumento da demanda, armadores precisam substituir embarcações por navios de maior capacidade ou ampliar suas frotas. Porém, segundo ele, a falta de espaço nos terminais, a insuficiência de berços de atracação e até mesmo a estrutura tarifária atual acabam desestimulando investimentos em renovação e ganho de escala.
Entre as soluções apresentadas durante a palestra estão a retomada de leilões portuários e a ampliação dos investimentos em terminais preparados para receber embarcações maiores e mais eficientes. Segundo Lavor, a modernização da infraestrutura permitiria maior capacidade de armazenamento de cargas, manutenção da produtividade operacional e ganhos de escala para o comércio exterior brasileiro.
Temas ligados à logística, exportação e infraestrutura seguem no centro das discussões acompanhadas pelo Hub do Café, especialmente diante dos desafios e oportunidades que impactam diretamente a competitividade do agronegócio brasileiro.
A programação da manhã do dia 21 encerrou com a palestra “O fim da hiperglobalização e o Brasil”, ministrada por Eduardo Giannetti, economista, professor, autor, palestrante e imortal da Academia Brasileira de Letras.
A cobertura do Seminário Internacional do Café continua no Hub do Café, com os principais temas, tendências e debates do evento.













