Fórum Café e Clima discute condições meteorológicas na cafeicultura - Café Cotação


As condições meteorológicas têm influenciado cada vez mais o desempenho das lavouras de café e serão um dos temas da 8ª edição do Fórum Café e Clima. O evento é promovido pela Cooxupé e será realizado no dia 29 de julho, na matriz da cooperativa, em Guaxupé (MG). No encontro, o engenheiro agrônomo e coordenador de Geoprocessamento da cooperativa, Guilherme Vinícius Teixeira, vai apresentar a palestra “Condições meteorológicas e seus reflexos nas regiões cafeeiras da Cooxupé – Safra 2026/2027”.

Em entrevista ao Hub do Café, o especialista explica como o comportamento do clima influenciou a safra 2026, mostra por quais razões as regiões cafeeiras responderam de forma diferente aos eventos climáticos e destaca como o monitoramento pode contribuir para decisões mais assertivas dentro das propriedades.

Como as condições meteorológicas observadas nas regiões cafeeiras da Cooxupé influenciaram o desenvolvimento da safra 2026?

As condições meteorológicas observadas ao longo do último ciclo tiveram influência direta sobre o desenvolvimento da safra 2026. De acordo com Teixeira, o cafeeiro respondeu à combinação de chuvas irregulares, períodos de estiagem, variação de temperaturas, amplitude térmica e variações no armazenamento de água no solo.

“A safra 2026 foi construída sob efeito acumulado de eventos climáticos ocorridos desde o ciclo anterior. A seca prolongada registrada em 2024 reduziu o armazenamento hídrico do solo, provocou estresse hídrico e térmico nas plantas, favoreceu queda de folhas e dificultou a retomada plena do desenvolvimento vegetativo. Esse cenário impacta diretamente a formação de ramos, nós e gemas produtivas, que são estruturas fundamentais para a safra seguinte”, explica.

Com o retorno das chuvas, houve recuperação das lavouras e retomada do crescimento vegetativo e reprodutivo. No entanto, a irregularidade das precipitações e os episódios de altas temperaturas mantiveram pontos de atençã, principalmente nas fases de expansão e granação dos frutos. A fase de expansão está relacionada à definição do tamanho dos frutos e da peneira. Enquanto a granação influencia o peso final, rendimento e qualidade do café.

“Portanto, o desenvolvimento da safra 2026 foi marcado por uma combinação de recuperação e alerta. As chuvas contribuíram para reativar os processos fisiológicos das plantas, mas a irregularidade climática, os veranicos e os picos de temperatura exigiram maior atenção ao manejo nutricional, fitossanitário e conservação da água no solo”, completa o engenheiro.

Como as diferentes regiões cafeeiras da área de atuação da Cooxupé responderam às condições climáticas observadas ao longo do último ciclo?

As regiões cafeeiras da área de atuação da Cooxupé responderam de forma diferente às condições climáticas, mostrando que a média regional nem sempre representa a realidade de cada município ou propriedade. É o que informa o coordenador de Geoprocessamento da cooperativa.

“No Sul de Minas, houve grande variabilidade entre municípios. Algumas localidades apresentaram melhor recuperação hídrica após o retorno das chuvas, enquanto outras tiveram períodos de menor precipitação, déficit hídrico pontual e maior amplitude térmica. Em áreas de maior altitude, as temperaturas mínimas também exigiram atenção, especialmente em períodos de frio”, detalha Guilherme.

Já no Cerrado Mineiro, ele ressalta que os efeitos da seca e da irregularidade das chuvas foram mais evidentes em vários momentos do ciclo. A região apresentou períodos com baixos volumes de precipitação, maior déficit hídrico e redução expressiva do armazenamento de água no solo. Esse comportamento reforça a necessidade de monitoramento constante, conservação do solo, planejamento hídrico e, quando possível, uso estratégico da irrigação.

“Na Média Mogiana Paulista, os dados também indicaram irregularidade de chuvas, altas temperaturas em alguns períodos e atenção ao déficit hídrico em fases críticas da cultura. A combinação entre calor, baixa umidade no solo e amplitude térmica pode aumentar o gasto energético das plantas e interferir no enchimento dos grãos”, avisa Teixeira.

Na região das Matas de Minas, o especialista fala que a ampliação do monitoramento meteorológico representa um avanço importante para entender melhor o comportamento climático da região. Os dados passaram a oferecer suporte para decisões mais assertivas, considerando que a região possui características próprias de relevo, altitude, umidade e distribuição de chuvas.

“De forma geral, o ciclo mostrou que cada região responde de maneira distinta ao clima. Por isso, o acompanhamento por município, estação meteorológica, balanço hídrico e mapas regionais é fundamental para interpretar corretamente os riscos e orientar o manejo das lavouras”, esclarece.

Ao observar os dados climáticos e as projeções disponíveis atualmente, quais fatores merecem maior atenção dos cafeicultores para as próximas safras?

Segundo o palestrante, os principais pontos de atenção para as próximas safras são a irregularidade das chuvas, períodos de estiagem, altas temperaturas, amplitude térmica, déficit hídrico, risco de geadas localizadas, pressão de pragas e doenças e a recuperação das plantas no pós-colheita.

“A irregularidade das chuvas merece destaque porque não basta observar apenas o volume total acumulado. É preciso avaliar quando a chuva ocorre, como ela se distribui ao longo dos decêndios e se é suficiente para recompor o armazenamento de água no solo. Chuvas concentradas podem gerar excedente hídrico e erosão, enquanto períodos sem chuva em fases críticas podem comprometer a florada, pegamento, expansão, granação e maturação”, descreve Teixeira.

O especialista afirma que as altas temperaturas também exigem atenção, pois aumentam a evapotranspiração, elevam o consumo de energia pelas plantas e podem acelerar processos fisiológicos. Em fases como granação e maturação, esse comportamento pode interferir no rendimento, qualidade e janela de colheita.

“Outro ponto importante é o estado fisiológico das lavouras após a colheita. Esse período será determinante para a recuperação das plantas, recomposição de reservas, manutenção da área foliar, sanidade e preparação para a próxima florada. Lavouras mais desfolhadas, desequilibradas nutricionalmente ou sob estresse tendem a responder pior aos eventos climáticos adversos. Lembrando que a umidade no inverno pode favorecer o desenvolvimento de doenças”, reforça.

As projeções também indicam necessidade de atenção a um possível cenário de maior irregularidade climática, com possibilidade de temperaturas acima da média, inverno mais úmido em alguns momentos e alteração no padrão das chuvas, por conta do fenômeno climático El Niño. “Esse ambiente pode favorecer doenças fúngicas e bacterianas, além de necessitar de precisão no posicionamento dos manejos”, diz o engenheiro.

De que forma as informações meteorológicas e as ferramentas de monitoramento podem contribuir para o planejamento e a tomada de decisão nas propriedades cafeeiras?

As informações meteorológicas e ferramentas de monitoramento são fundamentais para transformar dados climáticos em decisões práticas dentro da propriedade cafeeira, defende o coordenador de Geoprocessamento da Cooxupé.

De acordo com ele, acompanhamento de chuva, temperatura, umidade, evapotranspiração, déficit hídrico, armazenamento de água no solo e eventos extremos permitem ao produtor entender melhor o momento da lavoura e antecipar riscos. Com esses dados, é possível ajustar o manejo nutricional, controle fitossanitário, irrigação, conservação do solo, planejamento da colheita e as operações pós-colheita.

“O monitoramento também ajuda a interpretar a resposta fisiológica do cafeeiro. A mesma chuva pode ter efeitos diferentes dependendo da fase da planta, da condição do solo, carga produtiva, enfolhamento e do histórico de estresse da lavoura. Por isso, os dados meteorológicos devem ser analisados junto com a fase fenológica do café”, destaca Teixeira.

Para o especialista, as ferramentas de geoprocessamento, mapas climáticos, estações meteorológicas e balanço hídrico permitem visualizar a variabilidade entre regiões e propriedades. Isso contribui para identificar áreas vulneráveis, orientar a assistência técnica e apoiar decisões rápidas e precisas.

“Na prática, o monitoramento climático permite deixar de atuar apenas de forma reativa e passar a trabalhar de forma preventiva. Quanto melhor o produtor entender o clima, o solo e a planta, maior é sua capacidade de reduzir perdas, melhorar a eficiência do manejo e construir lavouras resilientes para as próximas safras”, conclui o palestrante.

Aprofunde esse debate no Fórum Café e Clima

As análises apresentadas serão aprofundadas durante a 8ª edição do Fórum Café e Clima, que reunirá especialistas para discutir as condições meteorológicas e seus impactos sobre a cafeicultura, além das perspectivas para as safras 2026/2027.

Promovido pela Cooxupé, o evento terá transmissão on-line ao vivo pelo Hub do Café e pelo canal da cooperativa no YouTube, a  partir das 14h. A transmissão é uma oportunidade para cooperados, técnicos e profissionais da cadeia cafeeira acompanharem análises técnicas que contribuem para o planejamento e a tomada de decisão nas propriedades.

Serviço

8º Fórum Café e Clima

Data: 29 de julho de 2026

Horário: 14h às 17h

Local: Matriz da Cooxupé, em Guaxupé (MG)

Transmissão on-line: Hub do Café e canal da Cooxupé no YouTube

Programação das palestras

  • Marco Antônio dos Santos (Rural Clima)

Previsão do tempo para a safra de café 2026/27: com a previsão de um El Niño forte, o que esperar do clima para 2026 e 2027

  • Prof. Dr. José Donizeti Alves (UFLA)

Diagnóstico fisiológico do clima na safra de café 2026 e medidas de preservação da capacidade produtiva para 2027 com a previsão de um El Niño forte

  • Guilherme Vinícius Teixeira (Cooxupé)

Condições meteorológicas e seus reflexos nas regiões cafeeiras da Cooxupé – Safra 2026/2027 

Cartaz do evento do 8º Fórum Café e Clima na Cooxupé, apresentando a programação, os palestrantes e os temas do dia 29 de julho de 2026, com fotos de quatro palestrantes do sexo masculino e ilustrações com o tema do café.



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