As chuvas e irregularidade climática impactaram desenvolvimento do café no início de 2026, com fevereiro registrando volumes acima da média histórica em todas as regiões monitoradas pela Cooxupé e março marcado por distribuição irregular das precipitações. Apesar das variações, não houve déficit hídrico significativo, o que contribuiu para a manutenção do bom desenvolvimento das lavouras.
Fevereiro com excesso de chuvas favorece armazenamento de água no solo
Durante o mês de fevereiro, as chuvas foram bem distribuídas ao longo dos decêndios, com maior intensidade no início e no fim do período. Regiões do Cerrado Mineiro se destacaram pelos altos volumes acumulados, enquanto áreas do Sul de Minas registraram índices menores, ainda assim acima da média histórica.
O cenário resultou em elevado excedente hídrico, indicando que parte da água não foi absorvida pelo solo e escoou superficialmente. Ainda assim, o armazenamento de água permaneceu acima de 77% da capacidade em todos os municípios monitorados, garantindo condições adequadas para o desenvolvimento das plantas.
As temperaturas seguiram próximas da média histórica, com variações típicas entre regiões, sem registro de extremos que comprometessem a fisiologia do cafeeiro.
Chuvas e irregularidade climática marcam o mês de março nas regiões cafeeiras
O mês de março foi caracterizado por chuvas e irregularidade climática impactam desenvolvimento do café de forma mais heterogênea. Enquanto algumas regiões, especialmente no Cerrado Mineiro, mantiveram volumes elevados, outras áreas, como o Sul de Minas e a Média Mogiana paulista, registraram precipitações abaixo da média histórica.
Mesmo com essa distribuição irregular, o armazenamento de água no solo permaneceu elevado, acima de 76% da capacidade, e não houve prejuízos fisiológicos às plantas. O excedente hídrico continuou presente, ainda que em menor intensidade em algumas localidades.
As temperaturas também se mantiveram dentro da normalidade, contribuindo para a estabilidade das condições de desenvolvimento da cultura.
Condições climáticas favorecem granação, mas exigem manejo técnico
Entre janeiro e março, os cafeeiros passaram pela fase de granação, período essencial para o enchimento dos grãos e definição do rendimento da colheita. As condições climáticas observadas, com boa disponibilidade hídrica e temperaturas equilibradas, favoreceram esse processo.
Por outro lado, o ambiente úmido e com menor incidência de luminosidade pode aumentar a pressão de pragas e doenças, além de favorecer a lixiviação de nutrientes no solo. Esse cenário exige atenção redobrada do produtor no manejo nutricional e fitossanitário da lavoura.
Segundo o engenheiro agrônomo Guilherme Vinícius Teixeira, o acompanhamento técnico é determinante neste momento. “As condições climáticas foram, de forma geral, positivas para o enchimento dos grãos, mas o produtor precisa estar atento ao manejo nutricional e ao controle de pragas e doenças. O equilíbrio da lavoura neste período é fundamental para garantir produtividade e qualidade na colheita”, afirma.
Além disso, o crescimento vegetativo, com desenvolvimento de ramos e folhas, ocorre de forma simultânea e também demanda alta disponibilidade de água e nutrientes, reforçando a importância do monitoramento constante da lavoura.













