Com o avanço do período de plantio de café, produtores têm buscado soluções que tornem o trabalho mais ágil, eficiente e adaptado à realidade atual do campo, especialmente diante da escassez de mão de obra. Uma dessas alternativas é a utilização da plantadeira de café manual tipo matraca, tecnologia já consolidada em culturas como eucalipto, hortaliças e cana-de-açúcar, e que agora vem ganhando espaço também na cafeicultura.
A Cooxupé preparou um vídeo aos seus produtores associados para explicar sobre a utilização da plantadeira manual.
Base para uma lavoura produtiva e duradoura
A adoção desse equipamento tem se mostrado estratégica principalmente em áreas de renovação de lavouras, fase considerada decisiva para a longevidade e produtividade do cafezal. Na renovação do plantio, a implantação correta das mudas é um dos pontos mais sensíveis do processo, pois define o padrão de desenvolvimento da lavoura ao longo dos anos.
De acordo com Ronaldo Freitas, do Departamento Técnico da Cooxupé, é nesse momento que se constrói a base de um cafezal bem estruturado, capaz de manter produtividade e vigor por, no mínimo, duas décadas.
Segundo ele, a matraca utilizada no café é uma evolução de modelos antigos usados para o plantio de cereais. O equipamento funciona como uma cavadeira acoplada a um cilindro, onde é colocada a muda, preferencialmente produzida em tubetes ou bandejas, sistema que garante melhor estrutura radicular e mais eficiência no plantio. Embora seja possível o uso de mudas em saquinhos, isso exige que estejam muito bem formadas, o que torna o tubete a opção mais indicada.
Além da simplicidade operacional, o grande diferencial está no ganho de produtividade. Enquanto no sistema convencional manual um trabalhador planta, em média, de 300 a 400 mudas por dia, com a matraca esse número pode chegar a cerca de mil mudas diárias por pessoa, mais que dobrando o rendimento e reduzindo custos operacionais.
Mais rendimento, ergonomia e menos dependência de mão de obra
Essa experiência positiva é confirmada na prática pelo cooperado Hugo G. Villas Boas, que adotou a tecnologia após avaliar diferentes alternativas. “Foi fantástico. Eu analisei o rendimento e optei por trazer uma. Fiz o experimento, vi que daria certo e, desde então, no operacional é fantástico. A gente mais que dobrou o recurso que tinha sobre unidade plantada por serviço”, relata.
Hugo destaca ainda que a tecnologia não muda o conceito do plantio, mas torna todo o processo mais rápido, organizado e ergonômico. A matraca elimina etapas como o uso de cordas para alinhamento e reduz o esforço físico dos trabalhadores, já que a muda é inserida em uma altura mais confortável, sem a necessidade de ficar constantemente agachado. O resultado é um plantio mais eficiente, com melhor aproveitamento da mão de obra disponível e maior capacidade de execução dentro da janela ideal.
Com ganhos claros em produtividade, ergonomia e organização do trabalho, a plantadeira manual surge como uma aliada importante para o produtor que busca eficiência no plantio e uma base sólida para lavouras mais duráveis e bem estruturadas.













