
Depois que um pacote de 70 gramas de café geisha foi arrematado por R$ 3 mil em um leilão nas redes sociais, a venda acabou despertando curiosidade entre consumidores e especialistas. Afinal, o que faz um café chegar a esse preço e quem está disposto a pagar por ele?
Produzido em Carmo de Minas (MG), na Serra da Mantiqueira, o microlote foi criado pelo produtor Luiz Paulo Dias Pereira Filho e é pensado como um “café de autor”. Em entrevista à Globo Rural, ele conta que a ideia surgiu a partir de uma inspiração no universo dos vinhos.
Assim como existe o “winemaker”, responsável por acompanhar todo o processo de produção do vinho, a proposta era trazer algo semelhante para o café: alguém que seleciona os grãos e assina o resultado final da bebida.
O café vendido no leilão é da variedade geisha, considerada uma das mais raras e valorizadas do mundo. A origem da planta remonta à Etiópia, mas a variedade ganhou fama internacional quando passou a ser cultivada no Panamá, onde cafés geisha alcançam valores recordes em competições e leilões.
Esse tipo de café costuma chamar atenção pelo perfil sensorial delicado. É conhecido por apresentar aromas florais intensos e sabores complexos, muitas vezes com notas que lembram frutas tropicais, jasmim e frutas maduras. A baixa produtividade das plantas e o cultivo mais delicado também ajudam a explicar por que o geisha costuma atingir preços elevados.
Um café escolhido grão por grão
No caso do lote leiloado esta semana, o café passou por um processo acompanhado de perto pelo próprio Luiz. Segundo ele, participou de praticamente todas as etapas da produção, da colheita à secagem.
Os frutos foram colhidos manualmente na lavoura e passaram por uma seleção rigorosa. Apenas os grãos considerados ideais para aquele lote foram separados.
Outro detalhe que chama atenção é o processamento. Diferentemente de muitos cafés especiais, que passam por fermentações controladas ou técnicas experimentais de pós-colheita, esse lote foi apenas colhido e seco.
De acordo com Luiz, a proposta era permitir que o próprio terroir da Serra da Mantiqueira, resultado da combinação entre solo, altitude e clima da região, se expressasse com mais clareza na bebida.
Nas primeiras provas, a reação de quem experimentava chamou atenção e o interesse pelo lote começou a crescer. Diante da procura, veio a decisão de limitar a produção e vender o microlote em um leilão nas redes sociais.
O anúncio foi publicado no Instagram com lance inicial de R$ 1. A expectativa era que o pacote de 70 gramas fosse vendido por algo entre R$ 200 e R$ 300.
Os valores, porém, subiram rapidamente e chegaram a R$ 3.000. Para Luiz, o resultado poderia ter sido ainda maior, já que o leilão terminou pelo tempo estabelecido, e não pela falta de interessados.
Leia mais:
Como um pequeno município do Paraná se tornou referência em cafeicultura regenerativa
Conheça o café de Boquete, um dos mais caros do mundo
Quem compra um café de R$ 3 mil?
O pacote foi arrematado por Hugo Passos Swerts Jr., ligado à empresa Café Responsável. O comprador explicou a Luiz que a intenção não é consumir o lote sozinho, mas compartilhar a experiência em degustações com clientes, parceiros e profissionais do setor, como forma de apresentar o potencial de qualidade do café brasileiro.
Por ser raro e limitado, o microlote foi pensado para ocasiões específicas, de maneira semelhante ao consumo de vinhos raros ou uísques premium. Preparar a bebida com atenção e observar seus aromas e sabores fazem parte da proposta.
Para Luiz, o resultado do leilão aponta para algo além do valor alcançado. O episódio revela o interesse crescente por cafés raros, produtos exclusivos e experiências que vão além do consumo cotidiano.
Initial plugin text
Fonte:












