Nesse cenário, as estimativas de consultorias para a atual safra são de uma produção recorde, da ordem de 75 milhões de sacas de 60 quilos. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê uma colheita menor, de 66,2 milhões de sacas, mas também um volume inédito. Entre os cafeicultores, porém, a expectativa é de produção maior que a passada, mas ainda abaixo do recorde de 2020, de 63,08 milhões de sacas.
Os cafeicultores consideram que parte da lavoura é jovem e não atingiu produtividade máxima. O tamanho efetivo da safra brasileira será determinante na formação de preços internacionais do café. Isso porque se espera um superávit para a safra global de 10 milhões de sacas, impulsionado pelo aumento de 20% da produção no Brasil, segundo as consultorias Safras & Mercado, StoneX e Hedgepoint Global Markets, para um volume entre 75,3 milhões e 75,8 milhões.
Marcelo Paterno, diretor da Associação dos Cafeicultores do Brasil (Sincal), afirma que a safra de café vai ser maior que no ano passado, mas sem recorde. “Se o clima continuar favorável talvez a safra possa chegar em 70 milhões de sacas, porque a granação está boa, com grãos maiores, o que melhora o rendimento por saca. Mas entre os produtores, a expectativa é de uma colheita abaixo desse patamar”, diz Paterno.
No Espírito Santo, maior Estado produtor de café conilon, a colheita começou em abril, mas ainda está abaixo de 2% da área cultivada, de 270 mil hectares, segundo o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). O instituto prevê uma produção de 14,8 milhões de sacas, 5% mais que na safra passada.
A colheita em Rondônia está entre 5% e 10% da área plantada, segundo Alves. A expectativa para o Estado é de uma produção de 2,7 milhões de sacas, acima das 2,3 milhões de sacas na safra passada. “Não me admira se ultrapassar 3 milhões de sacas”, admite. Ele estima que a produtividade na região deve superar 64 sacas por hectare, acima da estimativa da Conab, de 63 sacas por hectare, na média.
“Nunca vi as lavouras em um estado tão bom. Os grãos crescem bem, com bom tamanho. Se não houver nenhuma intercorrência com geadas, principalmente no Sul de Minas e no Cerrado, vamos ter uma safra realmente muito boa”, afirma Sérgio Mário Regina, coordenador técnico estadual da Empresa de Assistência Técnica e Extensão do Estado de Minas Gerais (Emater-MG).
Juliana Paulino, presidente da Associação dos Cafeicultores do Sudoeste de Minas, diz que as lavouras no sudoeste mineiro estão bem folhadas, nutridas e com boa granação. “Tivemos em poucas áreas incidência de olho pardo e cercóspora. A colheita vai ser boa. Não vai ser maior que a de 2020, mas vai ser boa”, afirma a produtora. Ela diz que alguns cafeicultores menos capitalizados começaram a colheita, para aproveitar os preços atuais. A associação reúne 11,8 mil produtores, que produzem 2,6 milhões de sacas de café por ano.
Na região do Cerrado Mineiro, que reúne 4,5 mil produtores e 234 mil hectares de cafezais, as plantas estão com frutos mais pesados e com casca mais fina, o que aumenta o rendimento da lavoura, segundo Gláucio de Castro, presidente da Federação dos Cafeicultores do Cerrado. Ele estima a safra em 6 milhões de sacas, 200 mil acima do ano passado.
Simão Pedro de Lima, diretor presidente executivo da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), tem a mesma opinião sobre a qualidade da safra. Ele projeta uma produtividade na região de 32 sacas por hectare. “É uma boa produtividade, mas não vai ser como a safra de 2020, com 7,7 milhões de sacas no Cerrado. Estamos falando de algo na casa de 7 milhões de sacas”.













