Os nematoides no cafeeiro estão entre os principais desafios fitossanitários da cafeicultura, com impactos diretos na saúde das plantas e na produtividade das lavouras. Invisíveis a olho nu, essas pragas atacam o sistema radicular, dificultando a absorção de água e nutrientes e enfraquecendo o desenvolvimento do cafeeiro.
De acordo com Mateus Torres Miranda, do desenvolvimento técnico da Cooxupé de São Sebastião do Paraíso, as perdas associadas à ação dos nematoides podem chegar a 15% da produção mundial de café e a cerca de 20% no Brasil, dependendo do nível de infestação e do manejo adotado.
O que são os nematoides no cafeeiro e por que preocupam o produtor?
Os nematoides são organismos microscópicos que vivem no solo e se alimentam das raízes das plantas. No cafeeiro, sua presença pode causar redução do vigor, amarelecimento das folhas, menor crescimento e queda significativa da produtividade.
“Os nematoides comprometem diretamente a absorção de água e nutrientes pelas raízes, o que reflete no desempenho da planta e na longevidade da lavoura”, explica Mateus Torres Miranda.
Principais espécies de nematoides no cafeeiro
Entre as espécies que mais afetam a cafeicultura, destacam-se:
- Meloidogyne spp. (nematoide-das-galhas)
- Pratylenchus spp. (nematoide-das-lesões-radiculares)
- Radopholus similis
Os Meloidogyne spp. são considerados os mais relevantes do ponto de vista econômico. A espécie Meloidogyne exigua apresenta ampla distribuição nas principais regiões produtoras, enquanto Meloidogyne incognita e Meloidogyne paranaensis, embora mais localizadas, são altamente agressivas e causam danos severos às plantas.
“Mesmo ocorrendo em áreas menores, algumas espécies são extremamente agressivas e podem inviabilizar o desenvolvimento do cafeeiro se não forem manejadas corretamente”, ressalta Mateus.
Impactos dos nematoides no cafeeiro na produtividade
A infestação por nematoides afeta diretamente o desempenho da lavoura. Estima-se que os danos provoquem redução média de 15% na produção mundial de café e até 20% no Brasil, números que reforçam a importância do monitoramento e da adoção de práticas preventivas.
Além da perda produtiva, o ataque contínuo compromete a longevidade do cafeeiro e eleva os custos de manejo ao longo do ciclo da cultura.
Como ocorre a disseminação
Os nematoides podem se espalhar de diferentes formas, o que torna o controle ainda mais desafiador. Entre os principais meios de disseminação estão:
- Água de irrigação e escoamento da chuva;
- Mudas contaminadas;
- Máquinas e implementos agrícolas;
- Trânsito de animais e pessoas na área produtiva.
Esse cenário reforça a importância de medidas preventivas desde o início da implantação da lavoura.
Manejo integrado dos nematoides
O controle eficiente dos nematoides no cafeeiro exige a combinação de diferentes estratégias ao longo do ciclo da cultura.
Prevenção e monitoramento
- Uso de mudas sadias e certificadas, livres de nematoides
- Análise periódica de solo e raízes, permitindo a detecção precoce e a definição de estratégias adequadas
“A prevenção é sempre o melhor caminho. Evitar a entrada dos nematoides na área reduz significativamente os riscos futuros”, orienta Mateus Torres Miranda.
Rotação de culturas
A alternância com culturas não hospedeiras, como crotalária e mucuná, contribui para a redução da população de nematoides no solo e melhora as condições biológicas da área.
Uso de nematicidas
- Nematicidas químicos, aplicados conforme recomendação técnica
- Nematicidas biológicos, à base de fungos e bactérias, que representam alternativas mais sustentáveis
Resistência genética
A escolha de variedades de cafeeiro com maior tolerância ou resistência aos nematoides é uma estratégia de longo prazo, apoiada pelos avanços da pesquisa genética.
Manejo cultural
- Adubação equilibrada, fortalecendo o sistema radicular
- Cobertura do solo, que contribui para o equilíbrio térmico e biológico do ambiente
Prevenção é a melhor estratégia
O manejo dos nematoides no cafeeiro deve ser pensado de forma integrada, combinando prevenção, monitoramento e práticas corretivas. Embora o controle seja possível, evitar a infestação ainda é a medida mais eficiente e sustentável, garantindo maior produtividade, longevidade da lavoura e segurança ao produtor.
A adoção de boas práticas agrícolas, aliada à orientação técnica especializada, é fundamental para minimizar os impactos dessas pragas e fortalecer a cafeicultura no longo prazo.













