
Quando era criança, Pedrina Pereira, 70 anos, já ajudava o pai na plantação de café. Agora, acumula meio século de trabalho na lavoura junto com o marido, Ozico Pereira, 72 anos. Os dois cultivam o grão em Barra do Turvo, na região do Vale do Ribeira, em São Paulo.
“Toda a vida trabalhamos na roça e nunca fomos valorizados por nada. E agora depois de quase 70 anos estamos sendo valorizados. É um orgulho na minha vida”, diz Pedrina, emocionada.
O casal venceu o 24º Concurso Estadual Qualidade do Café de São Paulo na categoria café cereja descascado. A bebida da dupla obteve 91,10 pontos, a maior nota já alcançada em todas as edições do concurso, que teve a última edição realizada em novembro.
“O café gourmet é de 80 a 85 pontos, enquanto o especial, de 85 a 90 pontos. De quatro anos para cá, os cafés que atingem acima dessa pontuação são classificados de extraordinários”, diz o especialista agropecuário Rgério Sakai, da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), da Secretaria de Agricultura do Estado.
O casal cultiva 3,5 mil pés de café em uma área de 6 mil metros quadrados. A variedade cultivada é a Obatã vermelho, uma variedade de café arábica valorizada pela resistência à ferrugem e pela qualidade da bebida produzida com seus grãos. Possui notas florais e frutadas, podendo ter toques de caramelo salgado e notas sensoriais diferenciadas, como pimenta rosa. A produção é orgânica certificada.
Pedrina diz que a nota foi resultado de uma produção zelosa. “A terra é muito boa, o trabalho no sistema agroflorestal, o zelo na produção. O café foi plantado, só roçado e dado duas carpidas de enxada. Não preciso de adubo, nada”, diz a produtora.
Casal recebe o prêmio no 24º Concurso Estadual Qualidade do Café de São Paulo
Divulgação/SAA
Ela acrescenta como fatores que proporcionam maior qualidade ao café o clima propício da região, com boa intensidade de água e boa intensidade de sol em poucas horas do dia, ocasionando uma maturação mais lenta, com maior aproveitamento dos nutrientes do solo, realçando o sabor.
A produção do casal na última safra foi de 35 sacas na lavoura de 3,5 mil pés. O lote especial somou 15 sacas. O café é vendido diretamente no sítio. “E aos apreciadores que nos procuram devido à repercussão do concurso”, revela Pedrina. O casal considera ganhar novos mercados com o seu café especial na próxima safra com o apoio da associação com a Associação dos Agricultores Agroflorestais de Barra do Turvo e Adrianópolis (Cooperafloresta).
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Para chegar à premiação, o casal contou com o apoio da CATI no desenvolvimento dos cafezais. Em parceira com a prefeitura, a CATI ajuda na organização rural e na área técnica, no financiamento e na adequação ambiental.
São Paulo é terceiro maior produtor de café do Brasil, com estimativa de 4,4 milhões de sacas (60 kg) na safra 2024/25. A região do Vale do Ribeira tem se destacado nos últimos anos pela evolução na produção de cafés especiais.
Concurso
O concurso de 2025 registrou recorde de participantes, com cerca de 400 amostras recebidas das espécies arábica e canephora, de 77 municípios. Foram premiados produtores em cinco categorias: arábica natural, arábica cereja descascado, arábica fermentado, arábica orgânico e canephora (conilon/robusta).
Os melhores cafés paulistas do ano passado foram produzidos em Barra do Turvo, Campinas, Brotas, Divinolândia, São Sebastião da Grama, Bragança Paulista, Socorro, Itapira, Caconde, Getulina e Catanduva.
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