Tradings já começaram a exigir dos produtores brasileiros o cumprimento de novas regras Algumas tradings já começaram a exigir dos produtores brasileiros nos contratos de compra e venda de soja o cumprimento de regras estabelecidas pela Lei Antidesmatamento da União Europeia (EUDR), embora a legislação só entre em vigor em 30 de dezembro de 2025. A afirmação é de Mauricio Buffon, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja). A exigência levou a entidade a divulgar uma nota recomendando aos produtores recusarem contratos com essas regras, que extrapolam o Código Florestal Brasileiro.
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Segundo a entidade, produtores de Goiás reclamaram terem sofrido pressão para aderir aos requisitos europeus.
“Tem algumas tradings querendo impor essa lei nos contratos, inclusive nos contratos futuros. A ideia é que a gente não assine nada, até porque ela não está em vigor e tem muita água para rolar debaixo da ponte. Na nossa visão essa lei não tem como continuar da forma que está”, afirmou Buffon.
A legislação europeia exige que produtos como soja, café e carne bovina tenham rastreabilidade comprovando que não vêm de áreas desmatadas após 2020. O Código Florestal Brasileiro estabelece limite de desmatamento de até 20% em propriedades dentro da Amazônia Legal e 65% no Cerrado.
O agronegócio brasileiro negocia com a União Europeia para evitar que o Brasil seja classificado como um país de alto risco de desmatamento. A classificação faz parte da EUDR.
A Aprosoja alega que a legislação ambiental é suficiente para preservar o meio ambiente e contém regras mais rígidas que outros países, como obrigatoriedade de preservar reserva legal nas propriedades. “A posição europeia parece ser mais uma cortina de fumaça para disfarçar um embargo econômico do que uma preocupação real com a preservação ambiental”, disse o presidente da Aprosoja Brasil.
Questionado sobre o risco dos produtores brasileiros perderem clientes europeus caso não sigam as regras da EUDR, Buffon disse que o país pode perder mercado na Europa, mas ganha em outros lugares, como na China. A China também passa por uma reformulação de suas regras de sustentabilidade. “Mas não vão deixar de comprar soja porque precisam”, argumentou Buffon.
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