Jovem cafeicultura remodela negócio da família com irrigação e gestão financeira - Café Cotação




Kaézia Bianchini é a terceira geração nos cafezais em Aracruz (ES), onde têm plantio irrigado e um viveiro de conilon Kaézia Bianchini é produtora de café conilon em Aracruz, no litoral do Espírito Santo. Com o preço elevado, ela está aproveitando para investir em sua lavoura, principalmente em tecnologias preditivas. O Estado tem despontado em irrigação para o café e mecanização das lavouras para tentar melhorar os números de produtividade por pé.
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Ela e a irmã, Kiki, multiplicaram o viveiro da família de 330 para 600 plantas e ampliaram os lucros, além das plantas de café, alcançando o primeiro milhão de pés de café. Elas são sócias do pai, Cássio Bianchini, que começou a ter “gosto pelo café” aos 8 anos.
Aos 27 anos, a experiência de Kaézia como economista agregou práticas de gestão, como análises de finanças e mapeamento da lavoura em plataformas digitais para que a família conseguisse impulsionar os negócios em pouco tempo.
“Hoje, adotamos manejo integrado de irrigação e tem um controle da quantidade de água usada na fazenda, os horários para a planta receber água e ter nível de absorção legal. Além disso, solo adequado, ventilação adequada, conseguimos ter uma adubação adequada para o café”, falou Bianchini.
Na gestão das filhas do senhor Bianchini, a fazenda passou a ter energia solar e este ano deve se tornar autossuficiente em geração de energia. A primeira safra da família foi gerenciada pelo pai, quando tinha 18 anos e quatro hectares produtivos. Quase três décadas depois, com 67 hectares e 280 mil plantas de conilon, as filhas estão acelerando a adoção de tecnologias para aumentar a produtividade de mudas de café na fazenda, além de aumentar a comercialização.
O caso da produtora é emblemático na região e está estampado em um dos novos rótulos da marca Nescafé, de bebida instantânea, e que faz uma homenagem a grupos de jovens produtores que estão remodelando as lavouras de conilon. O conilon dos Bianchini chamou atenção da empresa e colocou a produtora Kaézia Bianchini na campanha Fazedores de Café em um dos produtos da marca, que está sendo lançada hoje para o mercado.
O projeto Fazedores de Café inclui uma lista de produtores de diversas gerações e que desempenham práticas sustentáveis do campo à xícara. A ação foi criada a partir de uma visita de 24 fazendas ao longo de 4 mil quilômetros pelo Espírito Santo, atrás de famílias que estão à frente da cafeicultura no Estado.
Em 2019, o projeto ampliou para a cidade, para suprir uma necessidade percebida pela Nestlé na sua rede de cafeicultores, em relação à sucessão familiar. Jovens de Linhares, no Espírito Santo, na Chapada Diamantina e em Eunápolis, na Bahia e em São Sebastião do Paraíso, Minas Gerais, formaram-se na etapa campo.
“Na Nestlé, reconhecemos a importância dos projetos de qualificação profissional e, por meio do Fazedores de Café, conseguimos auxiliar jovens a terem acesso a novas possibilidades no mercado de trabalho”, comenta Bárbara Velo. As duas versões do programa, campo e cidade, já formaram mais de 300 profissionais e fazem parte da plataforma global Iniciativa Pelos Jovens,.
Desde 2019, a empresa desenvolve o programa de imersão e capacitação de jovens na cafeicultura. “O Fazedores de Café é um projeto que encanta e aproxima os jovens dos profissionais do mercado, fazendo a cadeia se retroalimentar. Trabalhamos para formar esses ‘fazedores’ que vão liderar a agricultura do futuro”, contou Rodolfo Clímaco, gerente de agricultura de cafés da Nestlé Brasil.
Para ele, os jovens estão remodelando e adotando manejos cada vez mais regenerativos e tecnológicos para a produção de conilon. A água é um recurso de bastante atenção desses produtores, pois a maior parte dos cafezais estão em áreas de disponibilidade hídrica limitada, motivo que levou os capixabas a aumentar a irrigação ao longo da última década. Hoje, cerca de 98% das lavouras de conilon são irrigadas, confirmou Clímaco.
Somado a isso, a produção de conilon capixaba se diferencia pelos cuidados com o solo. “Focamos na microbiota para combater pragas, o que se traduz em menor uso de agroquímicos. Também orientamos sobre o uso racional de fertilizantes, algo que impacta diretamente no custo do produtor”, detalhou o engenheiro-agrônomo.
“O conilon evoluiu muito em termos de qualidade sensorial. Há quatro anos fizemos um projeto-piloto com dez propriedades para ensinar, passo a passo, como produzir um café conilon especial. Hoje, esses produtores já têm marcas próprias. O conilon vem suprindo a menor oferta de arábica e mostrando um potencial sensorial crescente”, acrescentou o gerente.
Segundo Bárbara Velo, gerente de ESG de Cafés da Nescafé, a tecnologia é o ponto central dessas histórias que estão sendo destaque na empresa, e que representam fornecedores da divisão de café do grupo suíço no Brasil.
“No ano passado, lançamos a edição especial do Colmeia Café, com mel, embalado para presente e com um conceito que valoriza o papel das abelhas nas lavouras. A Nescafé está nessa jornada, especialmente na linha premium, destacando iniciativas de origem. Agora, ampliamos isso para a linha mainstream”, afirma.
Cafeicultura regenerativa
A Nestlé, através de suas marcas, está apostando em cafés de origem, isto é, que tenham identificações geográficas ou diferenciação de sabor pela geografia do local onde está cultivado.
A agricultura regenerativa é um dos conceitos que a empresa vem tentando enfatizar em seus produtos no varejo, enquanto aos produtores que fornecem o grão assistência técnica para garantir o padrão de qualidade das sacas que são compradas pela Nestlé.
“Visitamos produtores que são referência em agricultura regenerativa, muitos deles jovens e em processo de transição para assumir as propriedades da família. A ideia é que eles sirvam de inspiração para outros produtores. A sustentabilidade e as práticas regenerativas estão na base disso tudo”, agregou Clímaco.
A irrigação é um desses elementos da cafeicultura regenerativa, lembrou os representantes da Nestlé, que instala sensores, estações meteorológicas, pluviômetros e sistemas automáticos de controle nas lavouras dos parceiros para poder mensurar a economia de água. Clímaco contou que foi possível identificar uma economia de até 60% no uso da água, um avanço que nasceu da crise hídrica que o Espírito Santo enfrentou em 2015 e 2016.
Na propriedade dos Bianchini, a parceria com a empresa ajudou a ter acesso a laudos gerenciais que auxiliou a ter melhora na necessidade fisiológica da planta e também nas finanças da empresa para identificar onde se podia reduzir custos e ter vendas mais “assertivas”, segundo Kaézia.



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